terça-feira, 15 de março de 2011

Afoxé Asè Omo Odé homenageia a força das mulheres




Um dos destaques da programação especial da Secretaria de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial – Semira para o mês da mulher, é a apresentação “Deusas Negras”, do Afoxé Asè Omo Odé, que será realizada no dia 20 de março, às 10h30, no Jardim Botânico.

E em uma homenagem à força e a capacidade de resistência das mulheres, em especial as mulheres negras, que durante toda a História enfrentaram a escravidão, o machismo e o preconceito, essa atividade destaca em vários elementos da cultura afro-brasileira, como ritmos, cantos, ritos e cores, a exuberância e principalmente, a postura altiva de três importantes iabás (divindades femininas do candomblé): Oxum, Iansã e Iemanjá.

Essa apresentação cultural, juntamente com uma roda de capoeira com mulheres, uma iniciativa do Grupo Calunga de Capoeira Angola encerram na manhã do dia 20 de março a programação da Semira para o mês da Mulher. Na ocasião, também serão realizadas: uma trilha ecológica pelo Jardim Botânico, com a presença da presença da titular da Semira, Gláucia Maria Teodoro Reis, lembrando o tema “mulher no combate à feminização da Aids” ; distribuição de mudas de plantas medicinais; palestra e oficina sobre fitoterapia e atividades de entretenimento para crianças.

Mulher Sempre Mais
Iniciada no dia 8 de março, com o bloco de carnaval “MULHER SEMPRE MAIS PREVENIDA”, a programação especial da Semira contou ainda com um café da manhã, com as servidoras do servidoras dos órgãos do Palácio Pedro Ludovico Teixeira e a primeira-dama Valéria Perillo, no dia 10 de março.

Do dia 11 a 18, os órgãos públicos estaduais divulgarão a história da criação da Semira das 8 às 18 horas. Um dos ambientes do Palácio Pedro Ludovico Teixeira também funcionará como centro de beleza neste período, atendendo às servidoras do local com tratamentos oferecidos em parceria com empresas e indústrias de cosméticos.

No dia 14, das 14h30 às 17h30, o auditório Mauro Borges sediou mesa redonda com o tema “O Papel da Segurança Pública na Defesa dos Direitos da Mulher”, com participação da juíza e presidente da Associação dos Magistrados, Maria Luiza Povoa Cruz e da titular da Delegacia da Mulher em Goiânia, Karlla Fernandes.

No dia 15, no Centro de Referência de Promoção da Igualdade Racial foi realizado o Dia da Saúde – uma parceria entre a Semira e a Secretaria da Saúde para oferecer uma série de atendimentos gratuitamente.

Em todas as atividades a população em geral é convidada a participar, e contribuir com um quilo de alimento que será doado ao Cevam e a Associação de Serviço à Criança Especial de Goiânia (Ascep).

Afoxé Asè Omo Odé: tradição afro-brasileira em Goiânia
Criado na década de 90 por Pai João de Abuque (o mais antigo babalorixá e o primeiro ancestral do candomblé goiano), juntamente com outras lideranças das religiões afro-brasileiras da capital, o Afoxé Asè Omo Odé levou para o carnaval dos anos de 1990 a 1993 a riqueza das expressões artísticas da tradição afro-brasileira.

No ano de 2008, por iniciativa da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba e do terreiro Ilè Ibá Ibó Mim, o Afoxé sob direção do ogã Mestre Luizinho, herdeiro de Mestre Bimba; retomou suas atividades festivas nas ruas de Goiânia, em rememoração ao dia 13 de maio.

Desde então, realiza anualmente cortejos pelas ruas do Setor Pedro Ludovico em homenagem a importantes mestres da tradição afro-brasileira como: Pai João de Abuque; Mestre Bimba – criador da capoeira regional; Mestre Pastinha – ícone da capoeira angola; e em 2010 também reverenciou os mestres da Congada em Goiânia.

Em 2009 e 2010, o Afoxé abriu o carnaval de Goiânia na Avenida Araguaia, e este ano também os caminhos para “O carnaval dos Tambores”, levando para as ruas do Setor Pedro Ludovico, a riqueza rítmica e estética da religiosidade afro-brasileira.


Ancestralidade: força das mulheres negras
Oxum é o orixá que rege o amor e a fertilidade. Dona do ouro, da prata e dos mais ricos encantos femininos, essa iabá é bonita, vaidosa, às vezes ciumenta e possessiva. Mas seus poderes vão além de sua formosura, pois foi a ela que Olodumare (Deus Supremo) atribuiu a responsabilidade de preparar os humanos para receber os deuses, e assim os orixás puderam voltar à terra para, ao som de atabaques e xequerês reviver seus mitos por meio da música e da dança. Por tal razão, Oxum é considerada a Rainha do Candomblé.

Alguns afirmam que “as filhas de Iansã não fogem da briga”, e isso se justifica porque Iansã é uma orixá guerreira, é quem governa o vento, as tempestades e a sensualidade feminina. E é também a senhora do raio e soberana dos espíritos dos mortos, pois é somente ela quem os direciona para o outro mundo.

Muito cultuada e talvez o orixá mais conhecido no Brasil é Iemanjá, senhora das águas salgadas, dos mares e oceanos, mães dos deuses, dos homens e dos peixes. Ela é também a dona de todas as cabeças, pois rege o equilíbrio emocional e a loucura.

Assim, são dessas mulheres míticas tão marcantes na tradição afro-brasileira que emergem os símbolos que inspiraram e inspiram a resistência e a luta de inúmeras mulheres negras, pois para além dos estereótipos, essas deusas africanas alargam e complexificam nossa compreensão do feminino, são mães dedicadas e também amantes apaixonadas.


Serviço
Programação Mulher Sempre Mais
Secretaria de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial – Semira
Mais informações: (62) 3201-5390

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